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Marisa de Noronha

Desabafos

O NOVO CHEGOU

6 de Novembro, 2024

e veio para ficar!

É fundamental que encaremos as coisas que têm de ser alteradas nas nossas vidas, para que as vidas de todos nós possam funcionar com amor, alegria e respeito.

A vontade do novo começou a surgir em mim, aos poucos … Primeiro com sensações que não estavam no lugar certo, dei por mim a fazer-me as seguintes perguntas, ” Estou nesta situação | a ter esta conversa, PORQUÊ? “, ” PORQUÊ? “, ” PORQUÊ? “. Muitos porquês e poucas certezas!

O PORQUÊ! Foi a força e o disparo para me impulsionar para o autoconhecimento ainda mais profundo.

Sempre me interessei muito por esse tema, mas, nunca tinha mergulhado de cabeça como fiz este ano.

• COMO TUDO SURGIU

Ainda não sei como, uma publicação foi-me surgida em das redes sociais que usamos habitualmente. Uma rapariga a falar do poder da força da mãe e do pai, como isso podia influenciar na nossa Vida, Relacionamentos Amorosos e Familiares, Trabalho, Amigos, Traições, Mágoas, Dinheiro, Prosperidade …

Cliquei. Seguir.

Sem saber muito bem se voltava a receber os conteúdos daquele perfil. Confiei e lancei para o universo, ” se for para ir nessa direção, dá-me um sinal “. Como se o universo não tivesse mais nada para fazer do que me avisar, se devo ou não prestar mais atenção…

Quis tirar a responsabilidade das minhas escolhas, hoje sei disso.

Não sei se foi o universo, o algoritmo, só sei que quando dei conta já estava inscrita na palestra. Sozinha, pela primeira vez. ( já vos conto tudo )

Andava perdida interiormente, que qualquer coisa, pessoa, ritual, mesinha, terapia, eu alinhava… Eu só queria deixar de me sentir como me sentia, especialmente PERDIDA e sem DIREÇÃO! Naquela altura andava em tour pelo mundo inteiro, a conviver com pessoas espetaculares, a conviver com pessoas bastante conhecidas e de difícil acesso, sem problemas de poder adquirir, frequentava restaurantes com estrelas Michelin, tinha tudo e nada me preenchia o meu vazio. Não gostei de me sentir assim, foi de repente, chegou com uma situação que passei e transformou-se em trauma. Esse trauma transformou-me interiormente e apagou a minha luz, ao passar por isso, foi-me desbloqueado traumas da minha infância. E é aí que entra a minha criança interior, a Marisa pequena, não queria nem precisava de ” coisas “, precisava dos ingredientes mais puros desta vida… Amor, Aconchego, Compreensão, SER VISTA.

Hoje tenho a consciência e a clareza, da situação | trauma que me provocou esses sentimentos e essas dúvidas, antes não tinha. E está tudo bem.

Quem olhava e convivia comigo, não se apercebia das minhas dores. Enquanto andava distraída, andava em festa!

Quando as luzes se apagavam e a adrenalina passava…

• O SILÊNCIO, CHEGA

Só quem convive no meu ciclo pessoal é que tinham essa clareza. Nunca me largaram a minha mão. Alinhando em todas as minhas aventuras. Tirando cada vez mais cursos, com esses cursos vinham negócios de sucesso, nasciam marcas, este site ( que esteve parado, alguns anos ) e no final… Ia-me embora! Largava tudo, não me satisfazia mais, já não sentia aquele entusiasmo do começo.

A eterna insatisfeita! Esse pensamento começou-me a consumir e não parou de ressuar na minha cabeça.

Sabes porquê? Porque eu pensava que era aquele curso, aquele negócio que me ia preencher o meu vazio. E o meu vazio não se preencheu com sucesso, coisas, viagens pelo mundo, negócios, terapia, saídas com a família e amigos. Estava perdida, muito perdida…

• CRIANÇA INTERIOR

Faltava-me a minha mãe e o meu pai. A minha criança interior estava assustada, perdida. Não sabia mais o caminho de casa. Estava no escuro, aos gritos, a chorar em desespero.

Demorou algum tempo para perceber isso! Não foi fácil e muito menos admitir que estava em modo criança e não de adulta.

Se resolvi todos os meus traumas? Não. E provavelmente não vou conseguir resolve-los até o final da minha vida. Bert Hellinger costumava dizer que “nós estamos em constante constelação até o último dia de nossas vidas.”

Eu também acredito nisso. Não somos perfeitos e nunca vamos ser, mas temos a responsabilidade de sermos melhores 1% a cada dia.

E por isso, lá fui eu à procura do meu 1%. Era Novembro do ano passado, um dia antes de viajar com a minha família para uma ilha paradisíaca ( mais uma vez pensei, que me ia reencontrar naquelas águas que tantas lembranças me traziam ).

Fui sozinha para a palestra, sentei-me na última fila para perceber o que era a constelação familiar e quem era a Ana Lisboa. Uma pessoa que vinha do Brasil, a falar de um assunto que poucas pessoas ouviram falar. Afinal quem era ela?!?

Lá estava eu e todos os meus assuntos pendentes.

Durante a palestra, fui ouvindo e aprendendo alguns insights. Ia enviando para a minha irmã, algumas mensagens, como, ” és uma mulher trator “, por isto e aquilo… ” as pessoas sentem coisas quando estão no campo da outra pessoa”, ” não vais acreditar “, …

Durante todo o dia, enquanto a Ana andava de um lado para o outro a dar-nos mais clareza de muita coisa. Eu só pensava ” ela que não fale para mim “, ” ela que não me chame “, ” ela que não olhe para mim “, olhou e muito, mas não me disse nada.

Éramos provavelmente mais de 100 mulheres numa sala. Se eu sou especial ?!? Sou tão especial como tu e como toda gente. Acredito que olhou para toda gente.

Naquele dia sentimos as dores uma das outras. E para avançares tens que te permitir sentir.

Vi muita gente a chorar nesse dia. Abraçar pessoas estranhas. A falarem sobre as suas dores mais profundas. Toda gente com o mesmo objetivo, deixar ir a dor. Chorar a dor, como se não houvesse o amanhã.

A dor tem que seguir o caminho dela. Não a podemos agarrar como se fosse só nossa. A dor tem a missão de nos alertar para algo, como uma chamada de atenção. Nós é que não a queremos ver, nem aceitar.

Naquele dia muita coisa em mim mudou e só mais tarde é que me percebi isso!

• FÉRIAS, AQUI VOU EU

Entretanto nas minhas férias, não me saía da cabeça tudo que presenciei e as dúvidas começara a surgir … Será que é para mim? Devo-me inscrever ?

Durante as férias fui falando com o Saúl, partilhando as minhas dúvidas em relação ao curso, se devia de ir ou não, se ia encontrar as minhas respostas, se não era mais um curso que no final não me ia preencher mais uma vez. Tantas e tantas dúvidas… Só uma certeza, que queria ser salva por alguém.

Lá estava eu na piscina a beber a minha Pina Colada, quando dei conta já tinha enviado uma mensagem ao suporte da Ana Lisboa a mostrar o meu interesse. Tratei de tudo, inscrita! A minha voz interior GRITOU… E AGORAAAAAAA ?!?!?

Mais um curso, com um valor que não era habitual para Portugal e a eterna insatisfeita estava nele.

Só ouvia a minha voz interior a falar comigo ironicamente, ” Não querias ser salva menina Marisa? Agora lança-te ao mar e concentra-te para não te afogares”. Foi o que eu fiz e não é que deu certo ? Vim a saber que já fazia uma breve constelação familiar, sem saber que já o fazia ao falar com vocês. Sem ter a consciência de muita coisa que aprendi e hoje sei que tenho as bases certas.

E lá fui eu para a o meu primeiro encontro online. Foi com a Van, uma querida. Tirou-nos as dúvidas todas! Uma introdução de tudo o que íamos precisar e o que se ía passar nos módulos. Quando desliguei a câmara, pensei para mim ” até correu bem “. E assim segui todos os outros encontros, durante muitos meses, ouve partilhas de muita gente, às vezes a minha criança interior não queria lá estar e é normal. Durante todo o curso temos acesso a muitos insights das nossas memórias à muito esquecidas, dos nossos antepassados, aprendemos a ver o outro de outra forma, … Com o passar dos módulos, fui tendo mais a certeza que a única pessoa que me podia salvar era eu mesma. Eu era a minha única salvação, mas, para isso eu tinha que olhar para a minha dor. E a minha dor já não estava no meu corpo, e sim, na minha alma. Não foi fácil permitir-me a ver isso.

Ao ver as coisas de outra expectativa, hoje tem muita lógica. Nós temos que ser as nossas próprias boias de salvação. E não ia ser a pessoa que me apareceu na internet, vestida de vermelho e de batom vermelho.

Vermelho e mais Vermelho = Boia de Salvação

Na minha cabeça queria acreditar nisso! Eu só queria ser Salva.

O que eu não sabia, era que estava a projetar na Ana uma mãe. Uma mãe que acalma, ampara, salva, que dá carinho, direção… Eu queria uma mãe, só não sabia disso. Tive que aceitar e admitir isso.

Ao mesmo tempo que fugia de uma, queria projetar em noutra mãe só o que eu queria. Como se eu fosse um cientista e fizesse uma mãe perfeita aos meus olhos. Era uma criança, que estava fora do meu lugar. Não tinha noção do meu erro, nem bases sólidas para entender isso mais cedo.

A Ana foi uma mentora ” mãe “. Ela pode não se ter apercebido disso, mas durante quase um ano, deu-nos muito! Especialmente direção e clareza nos nossos passos.

Chorámos, fizemos birra, dançámos, pulámos, abraçámo-nos, deu-nos a tarefa de fazermos novas amizades entre nós ( muitas e muitas vezes ouvimos, ” apresentem – se, digam o que fazem, partilhem as redes sociais umas com as outras, vou vos dividir em grupo ” ).

Com isso, ensinou à nossa criança interior a ter regras, a perder a vergonha e a ver a mesma situação de vários ângulos. Que ao partilharmos a nossa dor, não éramos fracos e que aquela situação do passado não acontecia só conosco.

Éramos todos de nacionalidades diferentes, no final todos iguais! Mulheres e Homens com dores. Dores que nos doía na alma. Queríamos ser vistos, ouvidos e acarinhados.

A Ana não nos salvou à primeira, ensinou-nos sim a perceber que só nós é que podíamos agarrar a boia de salvação. Tendo força ou não, sabendo nadar ou não. Ela e todos os professores ensinaram-nos as técnicas necessárias para ir na direção certa, respeitando as correntes marítimas e aceitando que só nós é que nos podíamos salvar e com isso agarrar com toda a força, a nossa boia.

Não temos que nadar já como um campeão olímpico, mas sim como um nadador salvador. Com coragem, amabilidade de olhar para o próximo com os nossos binóculos, ter as técnicas necessárias para orientar as pessoas no mar, perceber das correntes, dos animais marinhos e colocar a bandeira na cor certa .

Não sabia e não tinha consciência disso, provavelmente tu também não. Não há problema, abraça a tua criança. Juntas aos poucos, vais cuidar dela!

• RUMO A LISBOA

Este ano o passo já foi maior, seis dias em Lisboa sozinha. Sim leste bem, sozinha.

Primeira vez de muita coisa, sozinha tantos dias, a finalizar um curso sozinha, a primeira vez tantos dias longe da minha família. E lá estava eu, mais uma vez frente a frente à Ana.

Desta vez não me sentei na última fila, mas também não na primeira, fiquei na do meio. Já é um avanço, mas com o mesmo pensamento ” a Ana que não me chame, que não me veja “, o que aconteceu ? Ao chegar no primeiro dia,

• Um abraço gigante – Confirmed

• Cruzar olhares – Confirmed

• Não ser chamada – Confirmed

Mais uma vez a Ana, sentiu e respeitou.

Fiz todos os exercícios, anotei tudo, disse as falas, entrei no campo das minhas colegas, constelei, fui constelada, filmei, dancei, todo que me foi proposto, durante aqueles dias. Eu fiz.

• Chorar – Refused

Seca como o deserto. Por leves segundos, passou-me pela cabeça ” não tens sentimentos “. Segui firme para o último dia no casino Estoril em Lisboa. Levei uma amiga.

Cheguei super motivada, a cumprimentar, abraçar as minhas colegas do Novo Sistema como se já as conhecesse à imenso tempo, tirei fotos com todos que pediram, também tirei muitas para mais tarde recordar e claro para vos mostrar, dancei e ao ouvir a música ” Índio Mensageiro ” e a fazer um exercício onde na constelação entrava o ” pai ” e no meio de 1000 pessoas, o inevitável aconteceu … CHOREI! O deserto transformou-se num lindo jardim, cheio de flores magníficas.

Entrei no curso para curar a mãe dentro de mim e descobri que a minha criança precisava era de um pai. Pai, esse que se teve que ausentar e passar menos tempo em casa para nada nos faltar.

35 anos, uma criança a sofrer por não perceber a ausência. A saudade consumiu-me sem eu me aperceber, a minha dor estava escondida por de baixo de várias e várias camadas. Somos uma autêntica cebola cheia de camadas.

A magia das constelações familiares aconteceu, comigo. Descobri, acolhi a minha dor e com isso nasceu no meu jardim que antes era um deserto, a minha flor – CAMÉLIA.

Camélia, em honra da minha avó paterna. Que não tinha Camélia no nome, mas sempre foi assim chamada.

Por ela, pelo meu pai, por mim, pela minha filha e por todas as gerações que viram, a ferida de humilhação e rejeição vão ser curadas.

Vim para casa com vontade de mais. Com um até já em mente, não para me reencontrar e sim para me atualizar. Porque eu sei que juntas, eu e tu, vamos percorrer por alguns desertos mas no final a tua flor também vai nascer.

• SIGINIFICADO DA FLOR – CAMÉLIA

A flor camélia está relacionada com a “beleza da alma”. Além disso, representa beleza, perfeição e pureza.

 • A Escolha da Camélia para representar a flor oficial dos meus Projeto de Constelações Sistêmicas

A flor camélia foi escolhida como símbolo para o meu projeto de Constelações Sistêmicas não apenas por seu profundo significado de equilíbrio e harmonia, mas também para homenagear a minha avó paterna, que, embora não tivesse “Camélia” no seu nome, foi carinhosamente chamada assim pela sua força, beleza e sabedoria, qualidades que se refletem profundamente nessa flor.

A camélia, com suas pétalas simétricas, representa a beleza da alma e a perfeição que procuramos no nosso trabalho de constelação. Ela simboliza a harmonia e a interconexão entre as partes, um conceito essencial nas constelações familiares, onde procuramos integrar os aspectos negativos das nossas histórias e relações. As pétalas, representando o feminino — delicada, mas forte em sua essência — e o cálice, que sustenta essas pétalas, simbolizando o masculino, o princípio de proteção e acolhimento. Essa união de forças complementares reflete a dinâmica que trabalhamos ao trazer equilíbrio entre as diferentes energias de um sistema familiar.

Em muitas culturas, a camélia é associada a felicidade e longevidade, um simbolismo que se alinha com o nosso propósito nas constelações: promover a cura profunda e a transformação nos sistemas familiares, para que cada indivíduo possa viver com mais harmonia, paz e prosperidade. Para a minha avó, a camélia era um símbolo de sua própria procura por equilíbrio e sabedoria diante dos desafios da vida.

Além disso, a camélia é tradicionalmente usada na medicina chinesa para suas propriedades curativas. Assim como o chá de camélia, que alivia doenças e traz bem-estar, o trabalho de constelação visa curar feridas emocionais e desbloquear os padrões familiares que podem limitar o nosso crescimento e felicidade. É uma flor que simboliza cura e transformação — exatamente o que buscamos ao ajudar indivíduos a se libertarem de bloqueios inconscientes e atingirem um novo estado de equilíbrio e harmonia.

Portanto, a escolha da camélia como símbolo para este projeto é uma homenagem a uma mulher que representou tanto na vida da minha família, mas também um reflexo dos princípios que guiam as constelações sistêmicas: integração, cura, equilíbrio e a celebração das forças complementares que existem em cada um de nós. A camélia não é apenas uma flor, mas um elo de amor e sabedoria que atravessa gerações, e com ela, honramos a memória e todo o seu esforço em criar três filhos sozinha.

Por mais Camélias.

Confia, na mão Divina ! Que a LUZ guia.

Até já minhas flores

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Marisa de Noronha, é portuguesa e atualmente mora na Figueira da Foz. Com seu jeito peculiar em abordar os mais diversos assuntos, tem conquistado um público fiel e participativo. Sempre mostrando aos seus seguidores a essência da individualidade da beleza, e a missão de fazer com que eles encontrarem a melhor versão de si mesmos.

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